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quarta-feira, 22 de maio de 2013


MOVIMENTO ESTUDANTIL (ME)
por Sandy Glenda

Nas décadas de 60 e 70, o movimento estudantil universitário brasileiro se transformou em um importante foco de mobilização social. Sua força adveio da capacidade de mobilizar expressivos contingentes de estudantes para participarem ativamente da vida política do país.
O aumento do número de estudantes coincidiu com o crescimento e consolidação de novas correntes políticas no meio universitário, que passaram a liderá-lo através do controle dos principais cargos nas mais importantes organizações estudantis. As novas correntes políticas se tornaram hegemônicas e defendiam ideologias ligadas à esquerda marxista (ou seja, um projeto socialista de transformação da ordem social). Essas correntes esquerdistas foram bem sucedidas ao canalizarem a crescente insatisfação da massa jovem diante das deficiências e problemas do sistema de ensino superior. Desse modo, a década de 60 presenciou as primeiras grandes mobilizações em defesa de reivindicações de caráter educacional. Na primeira metade dos anos 60, a chamada "Reforma da Universidade" consistiu na mais importante luta do movimento estudantil.
O movimento estudantil, historicamente sempre esteve alinhado as grandes lutas que se desenrolaram no país. Na ditadura militar os estudantes foram à linha de frente das organizações que lutavam contra o regime o que foi decisivo para o processo de redemocratização no país, no fora Collor os estudantes também foram para as ruas com suas caras pintadas exigindo a saída do presidente. Em 2007 os estudantes novamente mostraram sua força lutando contra a reforma universitária e contra os decretos do Serra, ocuparam reitorias e fizeram greve.
Na década de 1970, em meio ao período decadente e não menos violento da ditadura, os estudantes mostravam suas forças criando e reconstituindo suas entidades de luta. É nesse momento que se reconstitui a União Nacional dos Estudantes (UNE) e se fundam vários Diretórios Centrais dos Estudantes (DCE´s), Centros Acadêmicos (CA´s) e entidades estudantis em todo o país. Esse movimento vinha em resposta à truculência da ditadura, um dos casos mais conhecidos dessa época foi a morte do estudante Edson Luiz em 1968, morto por policiais militares (PM´s) no bandejão de sua universidade quando preparava-se para uma passeata. Naquela época os estudantes exprimiam o sentimento da sociedade e pertenciam a uma geração disposta a dar a vida pela liberdade. Eis a característica principal do movimento estudantil desse período.
Com a redemocratização do País, conquistada em grande parte como um legado daquela época, os tempos mudaram, sendo natural a redefinição do campo de luta dos estudantes. Ainda no regime militar, suas mobilizações foram fundamentais na reconstrução das entidades livres, os DCEs, como a greve da UnB, em 1977, pioneira nesse sentido. Dois anos depois, os estudantes reorganizaram a UNE, em um Congresso Nacional em Salvador. Já como parte de outros movimentos sociais, o movimento estudantil também assumiu papel importante na luta pela anistia e nas Diretas-Já.
Nos últimos anos, as entidades estudantis não têm conseguido ampliar suas bases. Os estudantes estão desmobilizados ou voltados para outros interesses, pois a política não é mais o centro das atenções, como em 1968. Além disso, as entidades costumam-se envolver em demasia com brigas internas, que afastam os que gostariam de participar.
Os rebeldes de 1968 tinham uma causa. Porém, seus ideais eram próprios daquele tempo. Os estudantes de hoje têm outras motivações. Pelo fato de 1968 ter sido um ano emblemático, é comum desmerecer o papel da juventude hoje, todavia deve-se estar atento aos paradoxos. Essa é a crítica de Cohn Bendit, ex-trotskista e um dos líderes do maio francês, em uma entrevista, em 1998: Esse discurso pejorativo sobre os jovens de hoje é completamente idiota. A grande diferença entre os jovens de 68 e os de hoje é que nós não tínhamos medo do futuro. O futuro era nosso e a nossa briga era para vivê-lo como a gente bem entendia. Contudo, nós não tínhamos razão em tudo. Falávamos em liberdade, desfilando com o retrato de Mao Tsé-Tung; outros protestavam contra o autoritarismo, carregando o de Fidel ou de Ho Chi Min.
De certa forma, a esquerda brasileira, dividida em inúmeras tendências, merecia fazer essa autocrítica. Os estudantes como parte de uma geração rebelde podem errar, porque são jovens e sonhadores. Próprio da juventude protestar, entretanto, melhorar o país não é uma tarefa só dos jovens, mas, sobretudo, dos que têm a responsabilidade para tal e dos que ganharam sua representação política para valorizar a vida pública.

REFERÊNCIAS
CANCIAN, Renato. Movimento estudantil: O foco da resistência ao regime militar no Brasil. UOL Educação, 16 mar. 2007. < http://educacao.uol.com.br/ > acesso em: 13 nov. 2012.
COELHO, Maria Francisca Pinheiro. O movimento estudantil. Universia, 12 ago. 2005. < http://noticias.universia.com.br/> acesso em: 13 nov. 2012.

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