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terça-feira, 2 de abril de 2013

Hitchcock revisitado

 
 
 
por Maianna S.

O mês de março foi de Alfred Hitchcock. O diretor recebeu atenção especial dos produtores de Hollywood com a estréia de um filme e uma série que têm como ponto de partida a obra-prima Psicose, de 1960.
O filme Hitchcock tem direção do britânico Sacha Gervasi e conta com Anthony Hopkins como intérprete do gênio do terror e Hellen Mirren no papel de sua esposa, a roteirista Alma Reville.

O longa revela os bastidores de Psicose e mostra a obstinação de Hitch em transpor para o cinema a história do livro homônimo de Robert Bloch, lançado em 1959. O livro era considerado de mau gosto e muitos acreditavam que ao filmá-lo o diretor colocava em risco sua reputação.

Apesar das brigas constantes com o elenco, da pressão da censura e da falta de apoio da Paramount que se recusou a financiar o filme, Psicose acabou por se transformar no maior sucesso de sua carreira. 


 
Já a série Bates Motel, exibida pelo canal pago A&E, volta o relógio no tempo e conta a história de Norman Bates, interpretado por Freddie Highmore, antes de se tornar o psicótico conhecido pelo mundo.
Bates Motel não se prende ao enredo de Psicose. A cidade agora é a fictícia e misteriosa White Pine Bay e seu ar retrô faz contraponto com o aparecimento frequente de jovens com seus smartphones.

Ainda adolescente, o obscurantismo de Norman começa a tomar forma e a recriação da clássica cena da silhueta de sua mãe na janela já dá indicações de seu complexo de Édipo.
No entanto, o Norman que vemos aqui não é o esquizofrênico de dupla personalidade, mas sim o garoto que precisa enfrentar os percalços da adolescência e de uma vida familiar imperfeita — uma história ordinária, se não houvesse tantos detalhes sujos.
Mudanças temporais na ordem dos acontecimentos e aparições de personagens improváveis, como seu irmão mais velho Dylan e Emma, uma garota da escola que precisa de um balão de oxigênio para respirar, impedem que a série caia no previsível e conferem certa atmosfera soturna e tensa.

Ter assistido a Psicose não é pré-requisito para entender a série, embora acrescente algumas camadas de profundidade. Pra quem gosta de suspense, promete ser um prato cheio.
 
 

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